AMÉRICA DO SUL
Lula discute projetos para integrar região
Eliane Cantanhêde e Iuri Dantas
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu ontem entregar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 30 dias uma proposta para diferenciar as taxas aeroportuárias cobradas no Brasil e favorecer os vôos para países da América do Sul. Hoje, o passageiro paga uma taxa fixa de US$ 36 se, por exemplo, viajar para Buenos Aires ou para Tóquio.A promessa foi feita por Jobim em reunião de três horas de Lula com cinco ministros e representantes do BNDES e de órgãos como a Petrobras, em que o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, criticou a taxa única e defendeu mudanças para baratear as passagens para destinos vizinhos e fortalecer o transporte aéreo regional.Na reunião, foram repassados, um a um, 32 projetos, programas e obras, especificados em 14 páginas, que o Brasil desenvolve com países sul-americanos ou no âmbito do Mercosul (bloco que reúne também a Argentina, o Paraguai, o Uruguai, a Bolívia e a Venezuela, em processo de adesão).Um desses projetos é a criação de um fundo para estimular consórcios binacionais entre pequenas e médias empresas de diferentes ramos.Lula tomou nota das pendências para sua viagem à Venezuela amanhã e para conversar com outros presidentes na reunião de cúpula do Mercosul, que acontece em Tucumán, na Argentina, na segunda. A preocupação do presidente é que os projetos saiam do papel.
Folha de São Paulo
Justiça libera mutirão para terminar obra no morro da Providência
Reforma havia sido embargada anteontem; 16 casas estão sem telhado, o que impede a permanência de moradores
Raphael Gomide e Denise Menchen
Moradores do morro da Providência vão recorrer a um mutirão para tentar concluir as reformas de 32 casas, que continuam pendentes. Dessas, 16 estão em pior estado, sem telhados, situação que impede a permanência dos moradores.Ontem à noite o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) autorizou a conclusão das obras, que foram embargadas anteontem pelo juiz Fábio Uchôa.Ele havia considerado que a obra tem objetivo eleitoral, por beneficiar "diretamente" o senador e pré-candidato a prefeito do Rio pelo PRB, Marcelo Crivella. Idealizado por Crivella, o projeto Cimento Social trata da remodelação de fachadas e telhados de 782 casas.Representantes de moradores e da construtora Edil receberam ontem autorização. Mesmo que os trabalhadores não sejam remunerados, o mutirão precisava ser autorizado.O procurador regional eleitoral, Rogério Nascimento, explicou que o embargo do juiz do Fábio Uchôa foi para as obras, não para a construtora ou o Exército. "Para que elas possam ser retomadas, é preciso que o juiz reconheça que o andamento será diferente daquele que levou ao embargo", disse.A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Assistência Social, criou ontem um "fundo solidário", com doações de empresas para juntar aos R$ 150 mil que seriam necessários para a conclusão das obras.O secretário Marcelo Garcia, que esteve ontem na Providência, disse que o fundo já obtivera R$ 75 mil, de seis empreiteiras, até o fim da tarde de ontem.De acordo com Garcia, ele estava fazendo apenas a "articulação" entre empresários e a associação de moradores.Segundo o acordo, a associação de moradores compraria material e contrataria mão-de-obra por conta própria.A secretaria disse ter oferecido hospedagem aos moradores de 16 casas que, segundo o órgão, não tinham condições de ser habitadas. Ninguém ainda havia solicitado o auxílio, de acordo com a pasta.A prefeitura e o governo do Estado do Rio anunciaram a intenção de retomar as obras do projeto no morro. Em nota, o Ministério da Defesa informou que o ministro Nelson Jobim vê "com bons olhos" a sugestão do governo estadual e da prefeitura de encampar as obras.O secretário municipal de Assistência Social disse que encaminhou, no ano passado, projeto de reforma de casas na Providência e em outras comunidades ao Ministério das Cidades, mas foi preterido."Falamos que com R$ 12 milhões faríamos em muitos mais lugares. O custo médio de nossas melhorias habitacionais -com reforma de banheiro, iluminação, mas não telhados- é de R$ 1.293", afirmou."Na Providência, faríamos tudo por R$ 3 milhões, e respeitando o cadastro federal do Bolsa Família, que foi ignorado, em troca do cadastro da Igreja Universal [em referência ao senador Crivella]".O senador não se manifestou sobre as declarações.
Thursday, June 26, 2008
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